PROCURANDO ABRIGO NA CIDADE DE SERTÂNIA

Por Zelito Nunes

Nas idas e vindas do destino, Furiba estava mais uma vez brigado com Pinto, quando, uma noite, vindo de Patos, faltou gasolina no carro bem perto da Travessa dos Guararapes, residência oficial de Pinto, em Sertânia.

Furiba olhou no relógio, eram 11h30 da noite. Posto de gasolina aberto, nem pensar! Hotel, muito menos! Só havia uma alternativa: a casa de Pinto, até então seu desafeto.

E foi pra lá que se dirigiu.

Ao aproximar-se, notou que havia luz acesa no interior da minúscula moradia.

Encostou a cara nas brechas da janela e lá estava o velho amigo lendo a Bíblia, sob a luz mortiça de uma vela.

Furiba pigarreou e chamou:

– Pinto, aqui é Furiba! Pinto assoprou a vela, foi deitar-se, e Furiba, depois de muito bater à porta da casa, terminaria a gelada noite enrodilhado dentro do velho “fusca”.

* * *
Do livro “No sertão onde eu vivia”

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