EM PARARI: Menino de 14 anos cuida de cabras da família desde os 12 anos

No quarto, Severino ainda guarda dois ou três carrinhos, que lembra ter ganhado na infância; hoje, porém, já não quer mais saber deles. Quando é questionado sobre o que gostaria de comprar com o dinheiro que vem do rebanho, ele responde sem pestanejar: mais uma cabra. Todo o dinheiro ganho é automaticamente reinvestido, seja em ração para os animais que já existem, seja em novos animais. A paixão do menino é antiga: seu pai conta que, quando criança, ele não podia tomar leite de vaca. Daí a ligação com as cabras, que passaram a ser criadas para alimentar o garoto.

Sua vocação, no entanto, se expandiu quando contava com 12 anos. Seu padrinho mandou que lhe comprassem quatro cabras e que assim tinha que ser. Deveria cuidar deles e fazer o seu nome. E assim, portanto, foi feito. Hoje, são 30 cabras que produzem uma média de 30 litros de leite por dia. O leite é vendido ao preço de R$ 1,65 a uma usina da região. É ele quem cuida de todo o rebanho da família.

Para o pai, um orgulho. Além disso, a chance de ver a sua região, para a qual voltou por diversas vezes, dar frutos ao seu próprio filho – e ver também o seu filho dando frutos à própria região. Seu José Aires Cavalcante, hoje já com 81 anos, já teve uma grande criação de cabras e enormes plantações. Plantava milho, feijão, algodão – “Eram 223 sacas de milho em um ano”, conta, satisfeito. Com a seca, no entanto, aumentaram as dificuldades não só do plantio, mas também de arrumar quem desejasse trabalhar na área.

Viúvo, um senhor de fala rude (mas com a mão no peito) viu também suas duas filhas falecerem, devido a complicações da paralisia cerebral. Embora já tenha morado no Rio de Janeiro, em Campina Grande e em Brasília, é para a cidade de Parari, que fica a 206 quilômetros da capital paraibana, para onde sempre voltou. Lá, casou-se com Maria do Carmo Leite, a ‘Pretinha’, mãe de Severino e, hoje, vê o filho de então 14 anos, saudável ‘feito um touro’, dar os primeiros passos rumo à um futuro promissor. Não é só o menino que é visto como promissor – também o leite de cabra.

Severino estuda. Com 14 anos, está no 8º ano do Ensino Fundamental. Não deixa de ir à escola, mas também não deixa de comparecer aos cursos que são oferecidos por órgãos como a Emepa e o Senar. Sua meta, agora, é melhorar o manejo dos animais e, quem sabe, aumentar a produção. Embora ainda não saiba o que quer ser quando crescer, não esconde sua grande paixão – expõe, com orgulho, no móvel da sala, todos os troféus que foram conquistados nas feiras do região. Até agora foram três.

JP

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